Mundo Política

Cinco pontos-chave sobre Julian Assange e WikiLeaks

O vazamento de milhares de documentos diplomáticos, uma investigação por um suposto estupro e um filme em Hollywood dedicado a sua história. Conheça abaixo cinco pontos-chave sobre o WikiLeaks e seu fundador, Julian Assange, que foi preso nesta quinta-feira (11/4), na embaixada equatoriana em Londres, onde estava asilado desde 2012.

O WikiLeaks ficou famoso em 2009 quando publicou centenas de milhares de mensagens enviadas por pagers em 11 de setembro de 2001, o dia do atentado nos Estados Unidos contra as Torres Gêmeas e o Pentágono. A ONG, fundada em 2006 por Julian Assange, permite a publicação online de documentos secretos sem identificar quem os vazou.

Pouco a pouco, suas revelações se tornaram mais controvertidas, como quando publicou um vídeo em que soldados americanos aparecem cometendo abusos no Iraque ou quando divulgou milhares de documentos militares sobre o Afeganistão.

Em novembro de 2010, o WikiLeaks publicou, com a ajuda de cinco jornais internacionais (The New York Times, The Guardian, Der Spiegel, Le Monde e El País), mais de 250 mil documentos secretos que revelavam segredos da diplomacia americana. Este episódio, depois batizado como “cablegate”, transformou o australiano em inimigo número 1 dos EUA.

Ao todo, o WikiLeaks diz ter publicado “mais de 10 milhões de documentos” sobre vários assuntos, incluindo o mundo das finanças, do entretenimento e da política.

No começo, o WikiLeaks, que surgiu como um colaboração entre matemáticos, especialmente dissidentes chineses, atacava regimes repressivos na Ásia, nas ex-repúblicas soviéticas, na África subsaarianas e no Oriente Médio. As principais revelações do site, no entanto, foram contra os EUA e, muitas vezes, a favor da Rússia.

Suspeita-se que a Rússia esteve por trás do vazamentos dos e-mails internos do Partido Democrata dos EUA, publicado pelo WikiLeaks em 2016, durante a campanha presidencial. O site também revelou casos de espionagem de Washington contra aliados, como os presidentes de Brasil e França, e a chanceler da Alemanha.

Com o tempo, vários meios de comunicação e figuras públicas se distanciaram do WikiLeaks, embora Assange alegue trabalhar com “mais de 110 organizações de mídia” em todo o mundo. É difícil desassociar o WikiLeaks de seu fundador, considerado um gênio perseguido por alguns e um manipulador paranoico por outros.

Depois de a Suécia emitir, em 2010, um ordem de prisão internacional contra ele por um suposto estupro, Assange se refugiou em 2012 na embaixada do Equador em Londres. A denúncia de estupro foi arquivada em 2017, mas Assange – que havia recebido a cidadania equatoriana – preferiu continuar asilado na embaixada já que temia ser extraditado aos EUA em razão da publicação dos documentos secretos.

Depois de sete anos asilado, Assange perdeu nesta quinta-feira, 11, a proteção de Quito, assim como a cidadania equatoriana, e foi preso pela polícia britânica. Também foi anunciada a existência de uma “ordem de extradição” dos EUA.

O “cablegate” não teria sido possível sem a participação da militar americana transgênero Chelsea Manning, que enviou ao WikiLeaks mais de 700 mil documentos confidenciais. Em agosto de 2013, ela foi condenada a 35 anos de prisão por uma corte marcial.

A militar americana transgênero Chelsea Manning enviou ao WikiLeaks mais de 700 mil documentos confidenciais; pena de 35 anos de prisão foi comutada por Barack Obama. Depois de sete anos na prisão, no entanto, foi libertada após o ex-presidente americano Barack Obama comutar sua sentença. Chelsea voltou a ser presa em março depois de se negar a testemunhar em uma investigação sobre o WikiLeaks.

Edward Snowden, ex-analista de inteligência da Agência de Segurança Nacional dos EUA que ficou famoso ao revelar a existência de um programa de espionagem, contou com apoio do WikiLeaks, apesar de não ter transmitido ao site de Assange os documentos que possuía. Foi Assange que aconselhou Snowden a exilar-se em Moscou para escapar da Justiça americana.

Hollywood também já se interessou pelo WikiLeaks, com o filme “O Quinto Poder” (2013), de Bill Condon, e o documentário Risk (2016), da diretora e jornalista ganhadora do Oscar Laura Poitras, que conta a história do australiano.

Julian Assange também usou sua voz ao interpretar a si mesmo no episódio número 500 de Os Simpsons, em 2014 (veja um trecho abaixo).